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Valor | Segunda-feira, 23 de julho de 2007

Companhia prepara nova edição de "O Capital", de Karl Marx

Segesta aposta em clássicos e em obras pouco conhecidas

Marli Lima de CuritibaFoto: Ivonaldo Alexandre/ValorAndrea Vicentini e sua mulher Marzia aproveitam viagens à Europa para garimpar livros de economia antigos

A editora curitibana Segesta tornou-se conhecida por um grupo pequeno de admiradores da literatura econômica por lançar no Brasil traduções de obras pouco conhecidas até mesmo no meio acadêmico. Seu catálogo abrange autores italianos e está prestes a incluir dois portugueses, em um trabalho que trata da destinação que seria dada às riquezas de Portugal no século 17. Mas o maior desafio está por vir: a edição de seu primeiro autor alemão, KarI Marx, que terá "O Capital" lançado pela empresa 40 anos depois da única tradução brasileira.

Os livros da Segesta têm suas peculiaridades. Não são do tipo que povoa as listas de mais vendidos e dificilmente aparecerão numa lista de indicações de leitura de personalidades conhecidas. Mas atraem por trazerem discussões que, mesmo antigas, não perdem a atualidade. Um exemplo está em "O Escritório Avarento", escrito em 1655 por Francisco ManoeI de Melo, que fará parte da coleção "Raízes do Pensamento Econômico", atualmente com sete títulos. Na obra, Melo usa o insólito diálogo entre quatro moedas para ultrapassar a condenação da paixão humana pelo dinheiro e tratar de seu uso, correto ou incorreto.

"Hoje seria interessante imaginar um debate entre um real, um dólar, um euro e um yuan", diz o economista italiano Andrea Vicentini, um dos sócios da editora, que nasceu há sete anos. Mas, se alguém se interessar pela obras já editadas, não pense que vai encontrar um livro da Segesta pelas livrarias do país, com exceção da Cultura, de São Paulo, e Leonardo da Vinci, do Rio. Será mais fácil procurar em bibliotecas públicas do Paraná e de São Paulo, que receberam doações dos editores e de empresas que aprovaram o trabalho. Outra opção é a compra direta ou download gratuito no site www.segestaeditora.com.br. "Nossos livros não são para livrarias comuns, que não se interessam por eles", lamenta Vicentini.

Quando questionado sobre as vendas, ele responde que na semana passada elas foram boas. Depois de artigo assinado pelo ex-ministro Delfim Netto, publicado no Valor, 60 livros saíram do estoque. No texto ele fala do "Tratado Mercantil sobre a Moeda", escrito por Geminiano Montanari em 1683 e lançado pela editora no ano passado.

Não foi a primeira vez que Delfin elogiou a Segesta. "Ele é nosso maior divulgador", afirma Vicentini, que trabalha com a esposa, Marzia Terenzi Vicentini, e um casal de amigos - Pedro de Alcântara Figueira e Fani Goldfarb Figueira. Todos são aposentados e dedicam-se a escolher os temas e ajudar na tradução das obras.

A Segesta funciona em um imóvel residencial onde Marzia preparou a tese de doutorado em teoria literária, curso que fez na USP. Como tinha filhos, adolescentes, o casal comprou o apartamento para ela estudar. Depois o local virou a sede da editora e os cômodos estão repletos de livros e cópias do material que será traduzido, além dos portugueses e de Marx, outra obra já foi escolhida - "Novos Princípios da Economia Política", do suíço Sismondi, prevista para 2008.

A idéia de fazer uma edição de "O Capital" surgiu há um ano. "Quando eu fazia economia, diziam que ele estava superado e tínhamos de ler livros dos meus professores", lembra Vicentini. "Hoje meus professores estão ultrapassados e Marx continua vivo. "Em fevereiro, contratou dois professores de alemão da Universidade Federal do Paraná (Maurício Mendonça Cardozo e Paulo Astor Soethe) para fazer a tradução do original. Depois foi bater na porta de instituições para pedir apoio na empreitada, mas ainda não teve sucesso. Mesmo assim, garante que o livro sairá com ou sem recursos externos. E, como as outras obras, será colocado na internet.

Até hoje, os livros foram bancados com verbas próprias e três tiveram apoio do Ministério das Relações Exteriores da Itália. Nos custos não são computados gastos com viagens, pesquisa e boa parte da tradução, vistos como de rotina. O dinheiro da aposentadoria não segue para a editora, mas Vicentini admite que usa na Segesta recursos de suas lavouras de soja, milho, trigo e feijão, em Pedrinhas Paulista (SP). Nos primeiros livros, fez tiragens de 1,5 mil exemplares. No último, baixou para 300. "Não dá lucro; fazemos por paixão", diz.

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